sábado, 11 de fevereiro de 2012

Ìyá-Wa - A virgem

Também conhecida como Ìyá-Wa. Assim como Odoyá e Oxum, também é uma divindade feminina das águas e, às vezes, associada à fecundidade. É reverenciada como a dona do mundo e dona dos horizontes. Em algumas lendas aparece como a esposa de Oxumarê e pertencendo a ela a faixa branca do arco-íris, pelo raio do sol, pela neve, em outras como esposa de Obaluaiê ou Omulu.
Ewá é a divindade do rio Yewà. Na Bahia é cultuada somente em três casas antigas, devido à complexidade de seu ritual. As gerações mais novas não captaram conhecimentos necessários para a realização do seu ritual, daí se ver, constantemente, alguém dizer que fez uma obrigação para Ewá, quando na realidade o que foi feito é o que se faz normalmente para Oxum ou Iansã.
O desconhecimento começa com as coisas mais simples como a roupa que veste as armas, insígnias que segura e os cânticos e danças, isso quando não dizem que Ewá é a mesma coisa que Oxum, Odoyá e Oyá.
Orixá que protege as virgens  aliás, tudo que é inexplorado conta com a sua proteção: a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não se pode nadar ou navegar. A própria Ewá, acreditam alguns, só é iniciada na cabeça de mulheres virgens, pois ela mesma seria uma virgem, a virgem da mata virgem filha dileta de Oxalá e Odùduwà.
As palmeiras com folhas em leque também simbolizam Ewá - exótica, bela, única e múltipla.
Na verdade ela mantém fundamentos em comum com Oxumarê, inclusive dançam juntos, mas não se sabe ao certo se seria a porção feminina, sua esposa ou filha.
Quando cultuada na nação Keto, Ewá dança ilu, hamunha e aguerê, Na cultura Djedje, onde suas danças são impressionantes, prefere o bravun e o sató e dança acompanhada de Oxumarê, Omolu e Nanã.


Nas festas de Olubajé, Ewá não pode ser esquecida, deve receber seus sacrifícios, e no banquete não pode faltar uma de suas comidas favoritas; banana-da-terra frita em azeite.
Ewá tem o poder da vidência, atributo que o deus de todos os oráculos, Orunmilá lhe concedeu, Sra. do céu estrelado rainha dos cosmos. Ela está no lugar onde o homem não alcança.
Sua ferramenta é o arpão, pode também carregar um ofá dourado, ou uma serpente de metal.
O Orixá Ewá é uma bela virgem que Xangô também se apaixonou, porém não conseguiu conquistá-la, Ewá fugiu de Xangô e foi acolhida por Obaluàyé que lhe deu refúgio. Ewá mora nas matas inalcançáveis, ligada a Irôko e Odé, e tornou-se uma guerreira valente e caçadora habilidosa. Ewá é casta, a Senhora das possibilidades.
Na África, o rio Yewà é a morada desta deusa, mas a sua origem gera polémica. Há quem diga que, tal como Oxumarê, Nanã, Omulu e Irôko, Ewá era cultuada inicialmente entre os Mahi, foi assimilada pelos Iorubas e inserida no seu panteão. Havia um Orixá feminino oriundo das correntes do Daomé chamado Dan. A força desse Orixá estava concentrada numa cobra que engolia a própria cauda, o que denota um sentido de perpétua continuidade da vida, pois o círculo nunca termina.
Ewá teria o mesmo significado de Dan ou uma das suas metades – A outra seria Oxumarê. Existem, no entanto, os que defendem que Ewá já pertencia à mitologia Nagô, sendo originária na cidade de Abeokutá.


             Ri Ro Ewá!

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